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Entenda a ciência por trás dos maiores eclipses solares

Por · 13/08/2026 às 00:03 · Atualizado em 13/08/2026 às 12:39 · 5 min

Notícias

Observatório Nacional

Combinação precisa entre as trajetórias da Terra e da Lua com o Sol garante minutos extras de escuridão


Publicado em

12/08/2026 17h06

Foto: Divulgação / Observatório Nacional

A duração de um eclipse solar total esbarra no limite matemático de 7 minutos e 30 segundos na Terra. Esse tempo máximo resulta de uma geometria específica entre as trajetórias do nosso planeta, da Lua e do Sol. O prolongamento da fase total exige três fatores simultâneos. A Lua precisa estar no perigeu (mais próxima da Terra), fenômeno que aumenta o tamanho aparente do satélite no céu. A Terra deve cruzar o afélio (o momento de maior distanciamento do Sol), reduzindo o tamanho visual da estrela. E a sombra lunar também precisa atingir regiões próximas à Linha do Equador. 

Nessa rotação, a velocidade de rotação da Terra é mais próxima da velocidade da sombra lunar, o que estica o tempo da fase total para quem está no solo. O recorde absoluto de escuridão do século 21 ocorreu em 22 de julho de 2009. A Lua bloqueou a luz solar por 6 minutos e 39 segundos em uma faixa que cobriu a Índia, a China e o Oceano Pacífico. 

Eclipses solares ocorrem quando a Lua fica entre o Sol e a Terra, projetando sua sombra sobre o planeta. A sombra mais escura, onde toda a luz solar é bloqueada, é chamada umbra. Em torno dela se define a sombra mais clara, a penumbra, onde a luz solar é parcialmente bloqueada.  

A astrônoma do Observatório Nacional Josina Oliveira do Nascimento explica que caso o observador esteja na estreita faixa da Terra atingida pela umbra, ele vai ver o eclipse total. Se ele estiver na área atingida pela penumbra, verá como parcial. A mesma geometria ocorre com o eclipse anular, só que nessa situação o diâmetro aparente da Lua (o tamanho que vemos a Lua no céu) está menor que o diâmetro aparente do Sol. “Então, o Sol não fica todo coberto, o dia não vira noite, as estrelas não aparecem no céu, mas o Sol fica escuro e com um contorno lindo, brilhante, como um anel”, complementa. 

Ao projetar o movimento dos astros a longo prazo, os pesquisadores encontram a convergência orbital perfeita. Em 16 de julho de 2186 haverá o eclipse total mais longo de um intervalo de 10 mil anos. O evento terá 7 minutos e 29 segundos de duração (apenas um segundo a menos que o teto absoluto). A sombra cruzará o Oceano Atlântico e a região Norte da América do Sul. A marca comprova que a humanidade documentará o limite máximo imposto pela física no século 22.  

O próximo grande marco visível em terra firme mobiliza cientistas em escala global. Em 2 de agosto de 2027, um eclipse solar cruzará o sul da Espanha, o norte da África e a Arábia Saudita. O fenômeno terá 6 minutos e 23 segundos de duração.  

Precauções para assistir ao espetáculo com segurança 

O eclipse desta quarta-feira (12) não será visível para quem estiver no Brasil, mas a experiência de olhar para o Sol com total segurança continua ao alcance de todos. O filtro de soldador nº 14, um item barato e fácil de encontrar em lojas de material de construção, é a ferramenta do Observatório Nacional que sempre brilha nas feiras de ciências Brasil afora. 

A Josina alerta para os riscos de improvisos e reforça a escolha do equipamento correto. “A observação de eclipses solares nunca deve ser feita a olho nu, nem com óculos escuros, chapas de raio X ou filmes fotográficos, porque as retinas dos olhos podem ser danificadas de forma permanente”, alerta a especialista. Os interessados em fazer esse tipo de observação devem procurar, em lojas de ferragens ou de materiais de construção, o chamado vidro de soldador. A tonalidade desse vidro deve ser, no mínimo, 14. “Mesmo com este aparato, só podemos olhar por 30 segundos, com descanso de 3 minutos para poder voltar a olhar”, explica.  

Uma máscara feita com vidro de soldador 14 é um dos equipamentos que mais faz sucesso nas feiras de ciências das quais o Observatório Nacional participa. Em parceria com o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), que leva os telescópios adaptados, o observatório empresta as máscaras para que os visitantes façam a observação solar guiada por especialistas. 

Foi assim na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorreu no campus Gragoatá da UFF, em Niterói (RJ), onde a atividade atraiu filas de curiosos de todas as idades. 

Curiosos com o Sol 

Para quem quer viver essa experiência de perto, o Observatório Nacional e o Mast já convidam o público para visitar o estande das instituições na próxima edição da SBPC, que no próximo ano será realizada em João Pessoa (PB). 

Se você estiver no Rio de Janeiro e não quiser esperar até 2027 para fazer a Observação do Sol, o Observatório Nacional vai participar do Festival da Ciência, no Parque Oeste, na sexta-feira (14), das 9h às 17h. 

Ciência e Tecnologia

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