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EL NIÑO
Publicado em
24/09/2026 18h21
Os próximos meses requerem atenção dos brasileiros para os alertas meteorológicos. A primavera, uma estação marcada pelo aumento da umidade no centro-sul e período seco em áreas do Norte e do Nordeste, estará sob a influência do fenômeno El Niño, classificado até o momento como forte.
O prognóstico climático elaborado conjuntamente em reunião técnica, promovida nesta quinta-feira (24), pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) apresenta um panorama para os meses de outubro, novembro e dezembro.
As informações são publicadas mensalmente e têm o objetivo de antecipar padrões climáticos de médio prazo com base em modelos numéricos. O documento contendo o prognóstico é resultado de discussões técnicas, incluindo o diagnóstico das condições climáticas vigentes e a comparação entre as previsões dos modelos utilizados pelas instituições e de modelos globais de instituições internacionais. As reuniões técnicas mensais reúnem meteorologistas desses institutos lotados em diferentes regiões do Brasil e de outras instituições, como o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
A região Sul tem condições favoráveis para excesso de chuvas com valores acima da faixa normal. Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem receber os maiores volumes, com acumulados que podem superar em até 200mm a média para o trimestre.
“Para o Sul, existe um grande número de informações de previsões de diversas instituições que indicam que é muito provável que tenha volumes bem expressivos de chuva durante a primavera”, alerta o meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Caio Coelho.
De acordo com o meteorologista, o quantitativo estimado neste momento para a região Sul está abaixo do que o registrado na primavera de 2023, quando foi observado excesso de chuvas da ordem de 300 mm. Para se ter um parâmetro, de acordo com dados do Inmet, a estação meteorológica convencional de Porto Alegre (RS) registrou total de 597,2 mm na primavera de 2023. O valor foi 65% acima da média histórica sazonal, que é de 362,7 mm.
Enquanto para o Sul se espera excesso de chuva, o inverso é esperado para o extremo norte do país. O prognóstico indica déficit de chuvas em toda a região, com reduções de até 200 mm para norte e nordeste do Amazonas e oeste e centro-sul do Pará. A climatologia histórica para essas duas regiões varia entre 200mm e 400mm de chuva. A redução sinaliza que pode chover muito pouco e impactar o transporte fluvial, por exemplo.
Para o Sudeste, também há previsão de excesso de chuva em parte da região. Contudo, por estar localizada em uma região de transição de regimes, há indicação de irregularidades.
Com relação às temperaturas, a maior parte do país deve ter médias para o período até 2°C mais quente, comparado à média climatológica. “A primavera deve ser mais quente com possibilidade de ondas de calor”, avalia Coelho.
Inflluência do El Niño
O fênomeno El Niño aquece as águas superficiais do oceano Pacífico na região equatorial e modifica a circulação atmosférica, provocando alterações nos padrões climáticos em diversas regiões do planeta. O episódio deste ano, confirmado em junho, tem previsão de atingir o ápice entre outubro e dezembro, podendo permanecer ativo durante o início de 2027.
De acordo com dados da agência norte-americana Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), que monitora e prevê as temperaturas no Pacífico Tropical, há 90% de possibilidade de a classificação ser elevada para muito forte e potencial para ser o mais intenso desde 1950, quando se iniciaram as medições.
O oceano Pacífico Tropical mais quente favorece a convecção, ou seja, a elevação de massas de ar quente e úmido na atmosfera, gerando grandes torres de nuvens profundas que provocam ‘ondas’ de grande escala que geram condições favoráveis para o aumento das chuvas na região Sul do Brasil. Essas condições, aliadas a outros fatores, favorecem a atuação de frentes frias, que costumam descarregar grandes volumes de chuva, e de complexos convectivos de mesoescala, responsáveis pela formação de tempestades fortes e abrangentes em grandes regiões, por vezes, acompanhadas de queda de granizo.
Os dois sistemas são comuns no Sul durante a primavera, mas o El Niño acentua essas características da primavera, quando o centro-sul do Brasil fica mais úmido e o extremo norte mais seco. “O sistema climático está sempre interagindo em várias escalas, mas o El Niño é uma grande forçante”, complementa.
A singularidade do El Niño deste ano, cujas anomalias de temperaturas das águas subsuperficiais têm se mostrado inéditas, ocorre em um planeta mais quente por conta do acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera. “A gente nunca teve um evento com tamanha magnitude em termos de conteúdo de calor subsuperficial junto com o aquecimento global, como parece o atual. Vamos realmente ter atenção”, afirma.
Mesmo assim, o meteorologista alerta que não há uma relação direta entre a intensidade do El Niño e possíveis impactos. No episódio do El Niño 2023/2024, por exemplo, a intensidade não estava entre as mais elevadas e o volume de chuvas na primavera de 2023 na região Sul foi expressivo.
Avisos e alertas meteorológicos: O prognóstico climático de longo prazo para os próximos 3 meses apresenta uma visão global. Para detalhar com maior grau de precisão quando e onde as chuvas devem ocorrer, é preciso acompanhar as previsões de tempo para os próximos dias, e subsazonal com antecipação para as próximas semanas e períodos de 15 dias. Por isso, o meteorologista orienta a população a acompanhar as previsões de tempo e os alertas emitidos pela defesa civil.
Serviço
Para receber os alertas da defesa civil por SMS envie o CEP da sua localização para o número 40199.
Acompanhe os alertas meteorológicos no site do Inmet; as previsões sazonais e subsazonais no site do CPTEC/Inpe e as previsões de riscos de geohidrológicos do Cemaden.
Acompanhe o boletim conjunto sobre o El Niño.
A nota conjunta da primavera elaborada pelo INMET e CPTEC/INPE está disponível neste link.
As notas técnicas das previsões climáticas sazonais são disponibilizadas neste link do CPTEC/Inpe.
