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Manejo sustentável de jacarés contribui para conservação e de geração de renda na Amazônia

Por · 02/10/2026 às 22:07 · Atualizado em 02/10/2026 às 22:07 · 4 min

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Amazônia

Iniciativa do Instituto Mamirauá une conhecimento das comunidades tradicionais e pesquisas científicas


Publicado em

02/10/2026 14h56

Manejo sustentável de jacarés contribui para conservação e de geração de renda na Amazônia

O projeto tem como objetivo gerar mudanças no sistema tradicional de gerenciamento de recursos Foto: Luiz Cláudio Marigo/Instituto Mamirauá

Manejo sustentável de jacarés contribui para conservação e de geração de renda na Amazônia

O projeto tem como objetivo gerar mudanças no sistema tradicional de gerenciamento de recursos Foto: Pedro Nassar/Instituto Mamirauá

Comunidades ribeirinhas e tradicionais da Amazônia praticam há gerações o manejo de jacarés, atividade que contribui para a conservação das espécies e a geração de renda na região. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é uma das duas instituições do País autorizadas a praticar a atividade.

Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, o Instituto e as comunidades atuam em parceria na elaboração de protocolos para orientar o manejo de jacarés.

Segundo o coordenador do Programa de Manejo da Fauna do instituto, Diogo de Lima Franco, a integração do conhecimento tradicional e o científico é fundamental par ao manejo comunitário e sustentável dos animais. “O conhecimento das populações tradicionais é fundamental. Elas têm o conhecimento prático do período em que é mais fácil encontrar os animais, de onde os jacarés se reproduzem, como é a distribuição deles durante o período de reprodução. Enquanto o papel científico é teórico, de levantar e analisar os dados. Então é um trabalho conjunto essencial”, explica o zootecnista.

Existem três formas de manejo: o intensivo — quando o animal é criado em cativeiro —; o semi-intensivo — quando os ovos ou filhotes são coletados da natureza, mas o animal cresce em cativeiro; e o extensivo — quando os animais são retirados diretamente da natureza, de forma sustentável. No programa, o manejo utilizado é o Harvesting, na exploração de uma população de vida livre.

O processo de manejo é rigoroso. Anualmente os ninhos são monitorados e os indivíduos são contados. Para determinar a fração sustentável de manejo, o programa utiliza o Plano de Manejo, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que define que o número não seja superior a 15% do total de indivíduos contados.

“As áreas onde há registros de ninhos são protegidas e a captura de jacarés é proibida. Machos adultos e fêmeas também não podem ser capturados, porque são fundamentais para a reprodução e a continuidade da espécie na região”, afirma Franco.

O programa ainda trabalha na capacitação dos grupos manejadores, os ensinando as boas práticas de vigilância, abate, beneficiamento e comercialização, e nas análises sanitárias dos produtos gerados.

O projeto tem como objetivo gerar mudanças no sistema tradicional de gerenciamento de recursos, garantindo renda alternativa aos manejadores e paralelamente promovendo a conservação da espécie.

Abatedouro flutuante

Em 2018, o Instituto Mamirauá obteve autorização para o funcionamento do Planta de Abate Remoto (Plantar), primeiro espaço flutuante de abate do país, na comunidade rural Jaraguá, no município de Uarini (AM). “Os animais precisam ser abatidos em estabelecimentos licenciados pelos órgãos responsáveis para que a carne chegue ao consumidor final com garantias de qualidade sanitária”, detalha Diogo.

Os primeiros abates experimentais autorizados pelo Ibama ocorreram em 2004, 2006, 2008 e 2010. As experiências ajudaram a definir regras especificas para o manejo de jacarés. Em 2020, foi realizado o primeiro abate com plano de manejo e estrutura própria de licenciamento para jacarés de acordo com a legislação estadual.

Sistema extensivo

O manejo extensivo de jacarés passou a ser permitido nos anos 2000, com a criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Para o manejo, é necessário elaborar um plano para avaliar a sustentabilidade e permitir a autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

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