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UFMA amplia atuação no setor espacial com participação em missão de microgravidade

Por · 09/10/2026 às 02:07 · Atualizado em 09/10/2026 às 20:07 · 7 min

Notícias


publicado:
08/10/2026 10h49,


última modificação:
08/10/2026 11h04

Universidade participa do desenvolvimento de tecnologia para recuperação de plataforma suborbital e assume papel estratégico na gestão de experimentos de microgravidade no Brasil
UFMA amplia atuação no setor espacial com participação em missão de microgravidade

Equipe do Labeese celebra o êxito da missão com a recuperação da plataforma. Foto: Labesee

A participação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em iniciativas relacionadas ao acesso ao espaço vem ampliando a capacidade da instituição de desenvolver tecnologias aeroespaciais e formar profissionais para um setor cada vez mais estratégico. Um dos resultados dessa atuação foi a participação na Operação Potiguar 2, missão que tinha por principal objetivo validar o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM), utilizada em experimentos científicos em condições de baixa gravidade.

A missão representou um marco para o Programa de Microgravidade brasileiro, coordenado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), ao consolidar a capacidade de utilização da plataforma para levar experimentos de universidades, instituições de pesquisa e outras organizações a altitudes superiores a 100 quilômetros. Nessa região, durante alguns minutos, os equipamentos são submetidos a condições de microgravidade antes do retorno à Terra.

Desde 2023, a UFMA, em parceria com a Fundação Sousândrade, atua na gestão do Programa de Microgravidade, prestando assistência à execução dos experimentos científicos e contribuindo para o desenvolvimento tecnológico associado às missões.

Tecnologia desenvolvida na UFMA

Na Operação Potiguar 2, o principal objetivo era testar o sistema responsável pela recuperação da plataforma após o pouso no mar. A UFMA participou diretamente do gerenciamento desse sistema e também desenvolveu uma tecnologia própria para auxiliar na localização da carga após a queda, o Range LoRa.

O dispositivo, desenvolvido pelo Laboratório de Eletrônica e Sistemas Embarcados Espaciais (Labesee), foi concebido para transmitir sinais que permitissem localizar a plataforma no mar. Dois módulos foram produzidos pela equipe e integrados à plataforma durante a missão.

Além de cumprir sua função de apoio à recuperação, o sistema permitiu acompanhar parte da trajetória do veículo e receber dados durante a subida. Segundo os pesquisadores, a equipe conseguiu obter informações por telemetria até aproximadamente 53 quilômetros de altitude.

Para a UFMA, o resultado demonstra a capacidade de desenvolver, dentro da própria Universidade, soluções tecnológicas aplicadas a missões espaciais e amplia as possibilidades de realização de outros experimentos em condições de microgravidade. “Foi uma tecnologia desenvolvida no nosso laboratório, projeto 100% maranhense”, destaca o professor Carlos Brito, coordenador geral do projeto.

O desempenho do sistema também chamou a atenção de profissionais do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte, onde ocorreu a operação. Após a missão, representantes do centro demonstraram interesse em novas possibilidades de colaboração envolvendo tecnologias de rastreamento e comunicação.

A recuperação da PSM-R foi bem sucedida após a reentrada da plataforma na terra. Foto: Labesee

Um novo momento para o Programa de Microgravidade

A PSM utilizada na missão integra o conjunto de recursos do Programa de Microgravidade da AEB. A plataforma suborbital permite que diferentes tipos de experimentos sejam submetidos a condições de microgravidade durante o voo e posteriormente recuperados para análise dos resultados.

Com a conclusão do teste do sistema de recuperação, a plataforma passa agora por procedimentos de restauração para que possa ser preparada para novas missões. Nesse cenário, a participação da UFMA ganha uma dimensão ainda maior. A Universidade deverá atuar na gestão das próximas iniciativas, acompanhando o processo de lançamento de experimentos desenvolvidos por instituições de diferentes regiões do país. “Ou seja, a UFMA vai gerenciar o lançamento de experimentos no país todo por meio dessa plataforma”, explica Carlos Brito.

A consolidação desse programa amplia as possibilidades de acesso ao ambiente de microgravidade para pesquisadores e estudantes brasileiros, criando oportunidades para o desenvolvimento e a validação de novas tecnologias.

Formação de estudantes para o setor espacial

A participação no Programa de Microgravidade faz parte de um movimento mais amplo de expansão da atuação da UFMA na área espacial e também se estende à formação de estudantes. A formação oferecida pela Universidade, de caráter interdisciplinar, começou com forte atuação relacionada aos sistemas satelitais e vem incorporando novas frentes, como sistemas para foguetes, propulsão, rastreamento e comunicação.

Essa ampliação permite que os estudantes tenham contato com diferentes segmentos da cadeia espacial, desde tecnologias embarcadas em satélites e cargas úteis até sistemas utilizados em veículos suborbitais e estruturas terrestres de rastreamento e comunicação.

Na Operação Potiguar 2, alunos participaram do desenvolvimento do Range LoRa e acompanhamento da plataforma, tendo contato direto com etapas de concepção, construção e testes de uma tecnologia destinada a uma missão espacial. Uma das participantes da iniciativa, atualmente analista da Agência Espacial Brasileira, acompanhou a operação em Natal.

Segundo o professor, a expansão da formação acompanha a própria diversidade do setor espacial, que envolve desde sistemas destinados a satélites até foguetes e equipamentos terrestres.

“A Engenharia Espacial é um curso interdisciplinar que acaba abordando diversas áreas do conhecimento. Nós estamos tendo essa preocupação de tentar oferecer um pouco de cada mundo, digamos assim, para os estudantes. Iniciamos muito fortemente com a parte de sistemas satelitais. E hoje já atingimos esses outros setores. Tanto sistemas para meios terrestres, quanto sistemas para foguetes e propulsão”, explica o professor Carlos Brito, que também coordena o curso de Engenharia Aeroespacial da UFMA.

Construir conhecimento e acesso ao espaço

A vocação do Maranhão para o setor aeroespacial contribui para essa trajetória. O estado abriga o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), infraestrutura estratégica para atividades relacionadas ao acesso ao espaço, o que cria condições para aproximar a Universidade de operações e tecnologias aeroespaciais. Para o professor, essa proximidade representa uma oportunidade para consolidar no estado uma formação acadêmica conectada às atividades desenvolvidas no setor espacial.

“Por mais que a gente possa ter limites ainda em termos de investimento e infraestrutura, os nossos discentes conseguem acompanhar e ter uma noção muito próxima do que se faz no mundo inteiro”, avalia o professor.

A atuação em projetos de microgravidade, portanto, contribui para posicionar a UFMA em uma cadeia que envolve pesquisa, desenvolvimento tecnológico, formação profissional e prestação de serviços especializados.

Foguete que transportou a PSM-R foi lançado do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno. Foto: Labesee

A experiência da Operação Potiguar 2 também representa uma etapa importante para a consolidação da competência da UFMA em tecnologias voltadas ao acesso ao espaço. O desenvolvimento do sistema de recuperação permitiu que pesquisadores e estudantes acompanhassem uma aplicação concreta de conhecimentos produzidos dentro da Universidade.

O projeto também mostrou a importância de tecnologias aparentemente específicas, como sistemas de rastreamento e comunicação, para o sucesso de uma missão espacial. Mesmo diante de uma falha em antenas de GPS utilizadas no veículo, o sistema desenvolvido pela UFMA manteve a capacidade de transmitir sinais e poderia auxiliar na localização da plataforma.

Com a continuidade do Programa de Microgravidade e a perspectiva de novas missões, a Universidade amplia seu espaço de atuação e cria novas oportunidades para que pesquisas desenvolvidas no país sejam testadas em ambiente espacial.

Para a UFMA, trata-se também de uma estratégia de longo prazo: formar pessoas, desenvolver tecnologia e aproveitar a posição privilegiada do Maranhão para contribuir com a construção de uma capacidade espacial brasileira.

“É uma sensação de dever cumprido. Eu encaro muito isso aqui como uma missão nossa. A nossa missão é desenvolver esse setor espacial aqui no Maranhão”, conclui Carlos Brito.

A participação da Universidade no Programa de Microgravidade brasileiro materializa o propósito de conectar pesquisa, inovação e formação acadêmica a um dos setores tecnológicos de maior complexidade. Desenvolver soluções próprias e preparar estudantes para atuar em diferentes etapas da cadeia espacial, a UFMA fortalece sua posição como instituição capaz de produzir conhecimento e tecnologia para além dos limites do ambiente acadêmico.

Por: Ingrid Trindade e Judson Nunes

Fotos: Labesee

Revisão: Jáder Cavalcante

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Fonte: Universidade Federal do Maranhão · Data original: 08/10/2026 13:49
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