<p>[media :type="fotolegenda" :ref="769939" :title="Casos de empresas como Atacadão e Carrefour chamam atenção para o ambiente de trabalho abusivo. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)" /]</p><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://imirante.com/brasil"><strong>BRASIL </strong></a>- A relação entre saúde mental e ambiente de trabalho passou a ganhar ainda mais atenção com novas regras que obrigam empresas a identificar e prevenir riscos psicossociais. Mas, quando um trabalhador desenvolve um transtorno mental, como ansiedade, depressão ou <i>burnout</i>, como provar que o trabalho teve influência no adoecimento?</p><ul><li><a target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9fyb7ADTOGmgNGLn3n"><strong>Clique aqui para seguir o canal do Imirante no WhatsApp</strong></a></li></ul><p>A Justiça não exige, necessariamente, que o trabalho seja a única causa do problema. O que costuma ser analisado é se as condições profissionais contribuíram de forma relevante para desencadear, aumentar ou manter o quadro de saúde do trabalhador.</p><p>Diferentemente de acidentes físicos, os transtornos mentais geralmente não têm uma causa única e podem envolver diferentes fatores, como questões pessoais, familiares e históricas. Por isso, a avaliação considera o contexto completo da vida profissional.</p><h2>Justiça analisa diversos fatores em denúncias de transtorno mental no trabalho</h2><p>Entre os elementos analisados pela Justiça estão mensagens enviadas fora do expediente, registros de jornada, metas, cobranças excessivas, denúncias internas, depoimentos de colegas, histórico de afastamentos e conversas em aplicativos corporativos.</p><p>O debate ganha novos contornos com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que obriga as empresas a identificar, prevenir e gerenciar fatores de risco psicossociais capazes de afetar a saúde dos trabalhadores. </p><h2>Assédio e pressão podem ser considerados fatores de risco</h2><p>Situações como assédio moral ou sexual, metas consideradas abusivas, jornadas exaustivas, falta de autonomia, sobrecarga e relações tóxicas entre equipes passaram a receber maior atenção em processos trabalhistas.</p><p>Diferentemente de um acidente físico, em que geralmente há uma relação mais direta entre causa e consequência, os transtornos mentais costumam surgir de forma gradual, silenciosa e por uma combinação de fatores, explica Leandro Savoy, psiquiatra especialista em alta performance para executivos.</p><p>“Ignorar sinais de adoecimento, afastamentos frequentes ou denúncias internas pode aumentar significativamente a responsabilidade da empresa”, alerta Leandro.</p><p>Treinamentos, canais de denúncia, políticas de combate ao assédio, monitoramento de indicadores, acolhimento interno e revisão contínua de processos também passaram a funcionar como elementos relevantes de defesa.</p><h2>Empresas podem ser responsabilizadas por adoecimentos no trabalho</h2><p>Mesmo quando existem fatores pessoais envolvidos, uma empresa pode ser responsabilizada caso fique comprovado que a organização do trabalho contribuiu de maneira significativa para o adoecimento.</p><p>Um caso recente é o de uma indenização de R$ 5 milhões que o Atacadão, empresa do Grupo Carrefour Brasil, teve que pagar após uma ação coletiva movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O Alvo das denúncias foi uma série de relatos de assédio moral, sexual e materno, além de evidências de adoecimento mental entre funcionários.</p><p>A condenação foi imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ), em agosto do ano passado, após os desembargadores concluírem que as provas reunidas indicavam a existência de um ambiente de trabalho hostil e prejudicial à saúde dos empregados, especialmente das mulheres.</p><h2>Atacadão deve pagar indenização por caso de transtorno mental causado a funcionários</h2><p>Um dos casos citados no processo envolveu uma funcionária que teve a roupa manchada por sangue menstrual após não conseguir autorização para deixar o caixa a tempo de ir ao banheiro.</p><p>Em nota, o Atacadão afirmou que a decisão de primeira instância foi favorável à empresa e declarou manter canais de denúncia, treinamentos preventivos e medidas disciplinares. A companhia também informou que já recorreu da condenação.</p><p>A decisão se tornou um dos casos mais emblemáticos de responsabilização de empresas por questões relacionadas à saúde mental no ambiente de trabalho. Mas também expõe um dos principais desafios desse tipo de ação: demonstrar que o contexto profissional contribuiu para o adoecimento de um funcionário. </p><h2>Banca Santander é condenado por dano moral a funcionários </h2><p>Outro caso que ganhou repercussão em outubro de 2024 foi o do banco Santander, condenado por dano moral após funcionários relatarem uma rotina marcada por pressão, cobranças abusivas e humilhações impostas por gestores.</p><p>O Santander afirmou que o caso segue em discussão e que mantém políticas de prevenção, governança e canais internos para apuração de denúncias.</p><p>Sílvia Lira, advogada e sócia da área trabalhista do B/luz, afirma que o maior desafio, tanto para o trabalhador quanto para o empregador, é demonstrar que existe uma relação entre o trabalho e o adoecimento mental. </p><p>Segundo Lira, entram nessa análise mensagens enviadas fora do expediente, registros de jornada, histórico de afastamentos, depoimentos de colegas, denúncias internas, conversas em aplicativos corporativos, entre outros.</p><p>Em muitos casos, a repetição de adoecimentos em um mesmo setor também chama a atenção.</p><h2><strong>O que dizem as empresas?</strong></h2><p><strong>Atacadão</strong></p><p><i>"O Atacadão informa que a decisão de primeira instância foi favorável à empresa, com base em provas documentais e testemunhais que demonstraram a efetividade dos canais internos de denúncia, dos treinamentos preventivos aplicados regularmente e das medidas disciplinares adotadas sempre que condutas inadequadas são identificadas.</i></p><p><i>O Atacadão reafirma seu compromisso com a promoção de um ambiente de trabalho seguro, inclusivo e respeitoso para seus mais de 70 mil colaboradores em todo o Brasil. A empresa já apresentou recurso e aguarda decisão do Poder Judiciário".</i></p><p><strong>Santander</strong></p><p><i>"O Santander esclarece que o caso ainda se encontra em discussão e que, por isso, aguarda a decisão final.</i></p><p><i>O Banco repudia qualquer forma de assédio, discriminação ou conduta incompatível com seu Código de Conduta e reforça que esse tipo de prática não reflete seus valores e padrões de atuação.</i></p><p><i>A Instituição mantém uma estrutura permanente de governança corporativa voltada para a promoção de um ambiente de trabalho seguro, saudável, respeitoso e inclusivo, além de desenvolver ações e práticas voltadas ao bem-estar e ao cuidado com a saúde mental dos colaboradores.</i></p><p><i>Em 2025, foram registradas mais de 18 mil participações de colaboradores em ações voltadas à saúde mental. Além disso, a Instituição possui canais oficiais internos para o recebimento e a apuração de relatos, com tratamento sigiloso, possibilidade de anonimato e adoção das providências cabíveis".</i></p>
Como provar que o trabalho causou um transtorno mental? Veja o que é analisado pela Justiça

Fonte: Imirante• 03/08/2026 às 13:37