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EL NIÑO
Publicado em
09/10/2026 10h08
Anomalia da temperatura relativa da superfície do mar (oC )em setembro de 2026. Divulgação CPC/NOAA. Publicado em 08/10/2026
O El Niño continua a se fortalecer e tem mais de 83% de probabilidade de se manter com intensidade entre forte e muito forte até o primeiro trimestre de 2027, de acordo com o comunicado publicado nesta quinta-feira (08) pela Agência Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos (NOAA), que monitora e prevê as temperaturas da região do oceano Pacífico equatorial.
A maioria dos índices aumentou em setembro, tendo alcançado 2,1oC na região Niño 3.4, utilizada como base para o cálculo da intensidade do fenômeno. Na região próxima à costa do Peru (Niño 1+2), alcançou 3,9oC e na área chamada de El Niño 3.0, que mais tem influência sobre o clima no Brasil, atingiu 3 oC. Além disso, as águas subsuperficiais apresentam 10oC de anomalia de temperatura. O excesso de calor significa mais energia, em forma de calor e umidade, lançada na atmosfera.
O comunicado da NOAA reitera que são altas as chances de que este episódio do El Niño seja o mais intenso desde 1950, quando se iniciaram as medições. A temperatura do Índice Oceânico Niño Relativo (RONI – Relative Oceanic Niño Index) que classifica a intensidade do fenômeno pode ultrapassar 2,5oC ou mais. O índice considera as anomalias da região Niño 3.4, mas subtrai a anomalia média de todo o cinturão tropical global.
O El Niño foi confirmado em junho deste ano e está em processo acelerado de fortalecimento, atingindo antecipadamente temperaturas recordes, comparado aos eventos mais intensos já registrados. Além disso, este episódio está ocorrendo em um contexto em que os oceanos e a atmosfera estão mais aquecidos, em decorrência do aquecimento global. Segundo o serviço climático europeu Copernicus, a temperatura média global da superfície do planeta foi recorde para o mês de agosto, tendo atingido 1,65°C, comparada com o período pré-industrial.
O fenômeno El Niño é uma variabilidade climática natural que ocorre na região do Pacífico equatorial e tem duração estimada entre 12 e 18 meses, considerando desde as fases de desenvolvimento, fortalecimento e ápice até voltar a condição de neutralidade. O acoplamento que ocorre entre oceano e atmosfera modifica a circulação atmosférica e afeta os padrões de chuva e de temperatura em todo o planeta, incrementando o risco de secas e de enchentes em diferentes regiões.
Essas alterações no sistema oceano-atmosfera também produzem impactos nos padrões climáticos do Brasil. Nos meses de primavera e verão, por exemplo, o fenômeno provoca aumento das chuvas na região Sul e parte do Sudeste, e aumento das temperaturas. No norte do Norte e Nordeste, o tempo fica mais quente e seco com a redução das chuvas.
Multimodelos – Em comunicado, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) reforça as características singulares do episódio El Niño 2026/2027, indicando a intensificação com perspectiva do ápice do fenômeno para dezembro e persistência até fevereiro de 2027. Os dados são baseados em consenso a partir de 13 centros meteorológicos nacionais e internacionais.
“O El Niño não acrescenta novo calor ao planeta. Ele libera calor que o oceano já vinha armazenando abaixo da superfície — e é por isso que um evento forte frequentemente resulta em um dos anos mais quentes já registrados (como ocorre com 2024)”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, durante o Fórum Global sobre Calor, realizado em Bangkok. “O oceano do qual esse calor provém está mais quente do que jamais registramos. Simplesmente há mais calor disponível para ser liberado”, complementou.
Com um evento dessa magnitude, as chances de ocorrerem impactos consistentes com o El Niño são maiores, embora não ser possível afirmar relação direta.
Serviço:
Para receber os alertas da defesa civil envie o CEP da sua localidade por SMS para o número 40199.
Acompanhe os alertas meteorológicos no site do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet); os prognósticos trimestrais e as previsões sazonais e subsazonais no site do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); e as previsões de riscos de geo-hidrológicos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
