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Mudanças climáticas na Mata Atlântica alteram o trabalho das formigas

Por · 14/08/2026 às 17:12 · Atualizado em 19/08/2026 às 15:23 · 4 min

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Mata Atlântica

Pesquisa estuda efeitos como a redução da diversidade evolutiva desses insetos e a diminuição da capacidade dos ecossistemas de resistir e se recuperar de mudanças


Publicado em

13/08/2026 14h16

Mudanças climáticas na Mata Atlântica alteram o trabalho das formigas

A pesquisa mostrou que a diversidade evolutiva das formigas é menor em ambientes mais quentes. Foto: Esperidião A. Santos-Neto

Remover e dispersar sementes, predar outros animais, revolver o solo e participar da ciclagem de nutrientes. Essas são algumas das principais funções exercidas pelas formigas diariamente. Porém, nova pesquisa mostra que até o trabalho delas é afetado pelas mudanças climáticas, especialmente o calor extremo. 

Segundo o estudo Ant-Mediated Ecosystem Functions Along a Tropical Elevational Gradient (Funções Ecossistêmicas Mediadas por Formigas ao Longo de um Gradiente Altitudinal Tropical, em inglês), a dispersão de sementes e a predação se mostraram mais intensas em locais mais quentes. 

“Como as formigas dependem da temperatura do ambiente para regular sua atividade, o calor pode aumentar sua movimentação e a busca por alimento, desde que não ultrapasse os limites tolerados por cada espécie”, explica o pesquisador do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e líder do estudo, Chaim Lasmar. 

Ainda assim, a pesquisa não demonstra que o aquecimento global poderá ser benéfico para esses insetos.  

A pesquisa mostrou que a diversidade evolutiva das formigas é menor em ambientes mais quentes e com maior variação de temperatura ao longo do ano. Nos ambientes mais quentes e secos, as espécies também tendem a ser evolutivamente mais próximas entre si. O aumento da temperatura pode intensificar a atividade das formigas no curto prazo. Porém, as mudanças climáticas também podem tornar o clima mais irregular, aumentar as variações de temperatura ao longo do ano e provocar períodos mais secos. “Essas condições podem reduzir a diversidade evolutiva das formigas responsáveis por essas funções e diminuir a capacidade dos ecossistemas de resistir e se recuperar de mudanças”, enfatiza Chaim. 

Diante das mudanças climáticas, os pesquisadores ressaltam que preservar os ecossistemas em diferentes altitudes é ainda mais importante para conservar essas comunidades e os processos ecológicos dos quais elas participam. 

A pesquisa 

Com colaboração de dez unidades de conservação do Sudeste do Brasil, especialmente na Serra do Mar e áreas próximas, o estudo avaliou a diversidade das formigas em diferentes altitudes na Mata Atlântica. A pesquisa integra a tese de doutorado de Mariana Rabelo, estudante do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais (MG). 

O estudo identificou 58 espécies e mostrou que a diversidade de formigas está relacionada à intensidade das funções ecossistêmicas. Essas funções são cumpridas durante a busca por alimento e contribuem para o equilíbrio e o funcionamento dos ecossistemas. Ao remover e transportar sementes, as formigas podem contribuir para a dispersão das plantas e para a regeneração da vegetação. Ao predar outros animais, especialmente insetos, elas também ajudam a controlar suas populações. “Isso mostra que conservar a biodiversidade não significa proteger apenas uma lista de espécies, mas também os processos ecológicos, o funcionamento e o equilíbrio dos ecossistemas”, disse Lasmar. 

Ainda de acordo com o estudo, são em altitudes intermediárias, próximas de 300 metros, que a diversidade de espécies e a intensidade das funções ecossistêmicas atingem seus valores máximos. Acima das altitudes intermediárias, verificou-se menor número de espécies e menor intensidade nas atividades de dispersão de sementes e predação de insetos. 

Além de identificar as espécies, os pesquisadores compararam o grau de parentesco evolutivo entre as formigas encontradas em cada local. Nas maiores altitudes, apesar de serem encontradas menos espécies, as formigas estavam mais distantes de seus parentes evolutivos, evidenciando linhagens evolutivas distintas.  

“Essa combinação pode tornar as funções ecossistêmicas das regiões montanhosas mais vulneráveis. Com menos espécies capazes de desempenhar essas atividades, o desaparecimento de apenas uma delas pode representar a perda de uma linhagem evolutiva singular e reduzir a capacidade da comunidade de manter determinada função”, aponta Chaim Lasmar. 

Ciência e Tecnologia

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