Conexão Maranhense — Conectando o que importa pra você
Campeonato Brasileiro Série ABragantino1 × 1MirassolEncerrado
Campeonato Brasileiro Série AClube do Remo1 × 1GrêmioEncerrado
Campeonato Brasileiro Série AInternacional2 × 1CorinthiansEncerrado
Campeonato Brasileiro Série AVitória4 × 0ChapecoenseEncerrado
Campeonato Brasileiro Série ABotafogo1 × 2Vasco da GamaEncerrado
Campeonato Brasileiro Série ACruzeiro2 × 0São PauloEncerrado
☀ São Luís 30°C — Garoa Máx. 32° / Mín. 26° Chuva 82%Dólar R$ 5,01Euro R$ 5,61Última atualização: 17:22
Enviar notícia Siga no Instagram
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
EDUCAÇAO

UFMA cria Instituto Nacional de Altos Estudos da Margem Equatorial para fortalecer pesquisa e inovação no Maranhão

Por · 09/10/2026 às 15:37 · Atualizado em 09/10/2026 às 15:37 · 8 min

Notícias


publicado:
09/10/2026 10h36,


última modificação:
09/10/2026 11h24

Nova estrutura reunirá projetos interdisciplinares com foco nos desafios e nas oportunidades da Margem Equatorial Brasileira
UFMA cria Instituto Nacional de Altos Estudos da Margem Equatorial para fortalecer pesquisa e inovação no Maranhão

Pesquisadores e parceiros institucionais participaram do lançamento do instituto. Foto: Ingrid Trindade

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) lançou, na última quinta-feira, 8, o Instituto Nacional de Altos Estudos da Margem Equatorial, iniciativa voltada à produção e à difusão de conhecimentos científicos, tecnológicos e institucionais sobre a Margem Equatorial Brasileira. A proposta é integrar pesquisadores de diferentes áreas, ampliar a infraestrutura científica da Universidade e contribuir para o planejamento de ações relacionadas ao desenvolvimento econômico, à preservação ambiental e aos impactos sociais das atividades previstas para a região.

A Margem Equatorial abrange áreas costeiras e marítimas do Norte e do Nordeste brasileiros, caracterizadas pela diversidade de ecossistemas, pela presença de manguezais, estuários e comunidades tradicionais e pelo potencial para diferentes fontes de energia, incluindo petróleo, gás natural, energia solar e eólica. Nesse cenário, o Maranhão ocupa posição estratégica, tanto pela extensão e diversidade de sua zona costeira quanto pelas possibilidades de desenvolvimento de pesquisas relacionadas aos recursos naturais, à inovação tecnológica e à sustentabilidade.

Com a criação do Instituto, a UFMA busca mobilizar competências já existentes na Universidade e articulá-las em projetos de maior alcance, fortalecendo a capacidade de desenvolver estudos estratégicos capazes de responder a demandas científicas e institucionais de um território de grande relevância científica, ambiental e econômica.

Integração da pesquisa e formação de recursos humanos

Para o reitor da UFMA, Fernando Carvalho, a criação do Instituto representa o início de uma nova etapa de articulação da pesquisa universitária, com foco na formação de recursos humanos e no desenvolvimento de estudos que considerem as diferentes dimensões das atividades econômicas previstas para a Margem Equatorial.

“Estamos dando início a um Instituto que vai desenvolver ações voltadas à formação de recursos humanos e à produção de conhecimento em áreas estratégicas, como petróleo e gás, refino de materiais, estudos oceânicos, meio ambiente e questões sociais. Sabemos que a exploração de petróleo na região pode trazer benefícios econômicos para o Maranhão, mas também possíveis impactos sociais e ambientais, e a gente precisar se antecipar a eles. Por isso queremos reunir grupos interdisciplinares da Universidade para desenvolver estudos em conjunto e produzir dados que possam auxiliar a tomada de decisões e atender às demandas de instituições e empresas que atuem na Margem Equatorial”, destacou o reitor.

O reitor Fernando Carvalho defende interdisciplinaridade dos estudos. Foto: Ingrid Trindade (Dcom)

A proposta parte da necessidade de superar a fragmentação das iniciativas científicas e ampliar a colaboração entre pesquisadores. Em vez de projetos isolados, a Universidade pretende estimular estudos integrados que articulem áreas como ciências sociais, pesquisas sobre petróleo, estudos ambientais e outras especialidades relacionadas à realidade costeira e marinha.

Durante a cerimônia de lançamento do Instituto, o reitor Fernando Carvalho defendeu uma atuação conjunta para ampliar a capacidade institucional da UFMA para desenvolver pesquisas complexas e oferecer respostas às demandas da sociedade e do setor produtivo.

“É importante que a gente tenha essa interação dos grupos de pesquisa da Universidade, de forma que a gente possa realmente fazer grandes projetos. Não projetos isolados, mas projetos maiores, projetos que envolvam os grupos de pesquisa de forma interdisciplinar, trabalhando a questão social, trabalhando a questão ambiental, trabalhando a questão química, a questão do petróleo. E, com isso, a gente consegue ser excelência e evitar que empresas precisem buscar em outras instituições estudos que temos condições de realizar aqui”, afirmou.

Instituto como espaço de debate científico e estratégico

Diretor do Instituto, o professor Allan Kardec destacou que a criação da estrutura é resultado de uma mobilização de vários anos e representa uma oportunidade para ampliar a participação do Maranhão no debate científico sobre os rumos da Margem Equatorial.

“Essa é uma luta de vários anos. O professor Fernando Carvalho tomou a iniciativa de liderar esse instituto, que vai servir a essa região nossa inteira que a gente chama da Margem Equatorial, ou seja, basicamente, o Norte e Nordeste do Brasil. E o Maranhão é central para fazer o grande debate científico no momento em que nós vamos fazer a exploração de petróleo nos mares do Amapá e, futuramente, aqui no Maranhão. Nós temos que ter ciência, ter estudos, ter dados. Então esse instituto vem justamente para suprir uma necessidade do Brasil em um momento crítico da história de nosso país”, ressaltou.

Professor Allan Kardec, diretor do Instituto Nacional de Altos Estudos da Margem Equatorial. Foto: Ingrid Trindade (Dcom)

De acordo com Allan Kardec, o Instituto deverá funcionar como um think tank, ou seja, um centro de produção de conhecimento, articulação institucional e debate de questões estratégicas. A atuação será organizada em torno de três grandes eixos: energia, sustentabilidade e meio ambiente, e desenvolvimento socioeconômico.

Os três eixos permitirão abordar temas como exploração de petróleo e gás, geração de energia eólica e solar, conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos e impactos das atividades econômicas sobre as populações locais. A proposta também contempla questões relacionadas a comunidades quilombolas, ribeirinhas e outros grupos que mantêm relações históricas, culturais e econômicas com os territórios da Margem Equatorial.

Dessa forma, o intuito é contribuir para que as decisões sobre o desenvolvimento regional sejam fundamentadas em estudos científicos, considerando tanto as possibilidades econômicas quanto os desafios ambientais e sociais envolvidos.

Parcerias e perspectivas de financiamento à pesquisa

A estruturação do Instituto também abre possibilidades de articulação com instituições de fomento à ciência e à inovação. Durante o lançamento, o assessor da Diretoria de Inovação na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Ronaldo Carmona, destacou a importância de antecipar a organização da infraestrutura científica necessária para acompanhar as transformações econômicas previstas para o Maranhão.

“O lançamento desse instituto demonstra uma visão importante do professor Fernando no que diz respeito à preparação de uma atividade que promete ser bastante intensa nos próximos anos e nas próximas décadas, que é o início da atividade de exploração de petróleo e gás do Maranhão. A gente sabe que toda a atividade de exploração de petróleo e gás exige infraestrutura de pesquisa que dê suporte ao grande processo de desenvolvimento industrial que se imagina e que se estima que o estado vai ter a partir de então. Porque a atividade de petróleo não é apenas a exploração do petróleo é também toda uma atividade industrial, toda uma cadeia produtiva que se organiza em torno disso”, pontuou Carmona.

O assessor da FINEP também apontou a possibilidade de a Finep apoiar o fortalecimento da infraestrutura científica do Instituto por meio de editais de financiamento, como o Programa de Infraestrutura para Pesquisa (Proinfra), voltado ao apoio à infraestrutura de pesquisa. A possível participação dependerá dos mecanismos de seleção e dos critérios estabelecidos nos editais correspondentes.

“A Finep vai certamente apoiar, por meio dos seus editais, a infraestrutura desse instituto que surge no dia de hoje. Ela tem editais voltados pra infraestrutura de pesquisa, em especial, o Proinfra, que é um edital anual e que se volta exatamente para atividades prioritárias relacionadas ao desenvolvimento econômico, ou seja, a como a estrutura de pesquisa da Universidade pode contribuir para o desenvolvimento econômico do estado. Então, certamente, a FINEP vai olhar com muitos bons olhos a estruturação do Instituto Nacional de Altos Estudos da Margem Equatorial”, afirmou Ronaldo Carmona.

Ciência, sustentabilidade e desenvolvimento regional

O Instituto Nacional de Altos Estudos da Margem Equatorial terá caráter estratégico, interdisciplinar e inovador. Entre suas finalidades, estão a produção, a integração, a sistematização e a difusão de conhecimentos científicos, tecnológicos e institucionais relacionados à região, com atenção às interfaces entre oceano, zona costeira, recursos naturais, energia, ambiente, sociedade, território e desenvolvimento.

A estrutura também deverá apoiar atividades de ensino e extensão, estimular a inovação tecnológica e prestar serviços especializados, em articulação com cursos de graduação, programas de pós-graduação, grupos de pesquisa e laboratórios da Universidade.

O Instituto Nacional de Altos Estudos da Margem Equatorial nasce para tornar a Universidade como um dos espaços de referência para a produção de conhecimento sobre a Margem Equatorial Brasileira, contribuindo para que as oportunidades e os desafios relacionados ao uso dos recursos naturais sejam examinados com base científica e atenção às dimensões ambientais e sociais do desenvolvimento.

 

Por: Ingrid Trindade

Fotos: Ingrid Trindade

Revisão: Jáder Cavalcante 

registrado em:

destaque
Fonte: Universidade Federal do Maranhão · Data original: 09/10/2026 13:36
Espaço publicitário dentro da matéria