Conexão Maranhense — Conectando o que importa pra você
Futebol MaranhenseSampaio Corrêa- × -Próximo adversárioA definir
Futebol MaranhenseMoto Club- × -Próximo adversárioA definir
Futebol MaranhenseMaranhão Atlético- × -Próximo adversárioA definir
Brasileirão Série ARodada atual- × -Jogos da Série AAtualize em Aparência → Placar
Copa do BrasilVasco- × -Fluminense01/08 — 17h30
Copa do BrasilAtlético-MG- × -Juventude01/08
Copa do BrasilSantos- × -Remo01/08
Copa do BrasilPalmeiras- × -Fortaleza02/08
Copa do BrasilMirassol- × -Grêmio02/08 — 18h
Copa do BrasilChapecoense- × -Cruzeiro02/08 — 18h30
Copa do BrasilInternacional- × -Corinthians02/08 — 19h30
Copa do BrasilAthletico-PR- × -Vitória02/08
São Luís 26°C — Parcialmente nublado Máx. 33° / Mín. 25° Chuva 16%Dólar R$ 5,07Euro R$ 5,85Última atualização: 22:45
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
MARANHÃO

Aos 90 anos, Ignácio de Loyola Brandão reflete sobre literatura, ditadura e o futuro

Por · 03/08/2026 às 13:21 · Atualizado em 03/08/2026 às 13:21 · 6 min
Fonte: ImiranteData original: 03/08/2026 às 13:21
Fonte: Imirante• 03/08/2026 às 13:21

<div class="raw-html-embed"><iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/rYVjavBv1fA?si=SZZDBgytXOxMCMON" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen=""></iframe></div><p>O jornalista e escritor&nbsp;Ignácio de Loyola Brandão, um dos mais importantes nomes da literatura brasileira contemporânea, é o entrevistado do oitavo episódio do podcast&nbsp;Redemoinhos, produzido e apresentado pelo jornalista e poeta&nbsp;Félix Alberto Lima. A conversa está disponível no portal Imirante a partir desta sexta, 31 de julho, data em que o autor celebra&nbsp;90 anos de idade, reunindo memórias, reflexões sobre literatura, política, meio ambiente e o papel do escritor diante dos desafios do seu tempo.</p><p>Ao longo da entrevista, Loyola revisita o período da ditadura militar brasileira e recorda como a literatura passou a ocupar um lugar central em sua vida em meio à censura. Segundo ele, jornalistas, publicitários e intelectuais buscavam constantemente maneiras de driblar os mecanismos de repressão impostos pelo regime.</p><p>Foi desse ambiente que nasceu um de seus livros mais emblemáticos,&nbsp;<i>Zero</i>, romance considerado um marco da literatura experimental brasileira. O escritor conta que a obra surgiu a partir do material descartado pelos censores nas redações de jornal.</p><p>"Peguei cada texto daquele e fui transformando num episódio; não sabia onde aquilo iria dar; e juntei tudo com as coisas que eu observava nas ruas, nos táxis; fiz então um livro fragmentado, na base da experimentação; uma forma até então completamente nova na literatura brasileira."</p><p>Outro momento marcante da conversa é dedicado ao romance&nbsp;<i>Não verás país nenhum</i>, publicado em 1981 e reconhecido como uma das principais distopias da literatura nacional. Loyola explica que o livro nasceu muito antes de a crise climática ganhar espaço no debate público e foi resultado de uma extensa pesquisa baseada em milhares de reportagens.</p><p>O autor revela que reuniu uma grande quantidade recortes de jornais&nbsp;para compreender a dimensão dos problemas ambientais que começavam a se desenhar no planeta. "Eu não tinha ainda uma consciência ambiental, mas fui mergulhando na história intuitivamente", afirma, destacando que a ficção acabou antecipando discussões que hoje ocupam o centro das preocupações mundiais.</p><p>Na entrevista, Loyola também relembra os dois anos em que viveu na Alemanha e a proximidade que manteve com integrantes do Partido Verde alemão, experiência que ampliou sua percepção sobre as questões ambientais – e resultou na publicação do livro <i>O verde violentou o muro</i>. Para ele, o país foi um dos pioneiros na construção desse debate, muito antes de o tema ganhar relevância internacional.</p><p>Ao refletir sobre a função da literatura, o escritor defende que os livros continuam sendo instrumentos fundamentais para provocar reflexões e pautar os grandes temas da humanidade. Para Loyola, escrever é um compromisso permanente com a transformação da sociedade.</p><p>"O escritor quer transformar o mundo em uma coisa melhor. A gente quer que o ser humano sobreviva."</p><p>[media :type="fotolegenda" :ref="822841" :title="Ignácio de Loyola Brandão celebra 90 anos com entrevista exclusiva ao Redemoinhos." /]</p><p>Durante a conversa, o autor também comenta o significado dos prêmios literários e do reconhecimento conquistado ao longo de décadas de carreira. Embora considere as homenagens importantes, afirma que elas jamais podem ser o objetivo principal de quem escreve.</p><p>Segundo ele, os prêmios oferecem "uma alegria de que o seu trabalho está sendo compreendido, e isso é bom". E completa: "Vaidade, cada um tem a sua. Quando vem um prêmio, ótimo. Quando não vem, você tem de continuar."</p><p>A entrevista aborda ainda o lançamento de&nbsp;<i>Risco de queda</i>, seu mais recente livro, prefaciado pelo escritor português&nbsp;Valter Hugo Mãe. Loyola explica que o título nasceu de uma experiência vivida durante uma internação hospitalar, quando certos pacientes, idosos principalmente, recebem uma pulseira de alerta de risco de queda. A expressão acabou se transformando em metáfora da condição humana, da fragilidade do envelhecimento e das incertezas do mundo contemporâneo.</p><p>"O título é uma metáfora em relação ao mundo. Os idosos estão sendo devorados pelo mundo digital", observa o escritor ao comentar as transformações impostas pelas novas tecnologias e os desafios enfrentados pelas gerações mais velhas.</p><p>Nascido em Araraquara (SP), em 31 de julho de 1936,&nbsp;Ignácio de Loyola Brandão&nbsp;é jornalista, romancista, cronista e contista. Autor de obras fundamentais como&nbsp;<i>Zero</i>,&nbsp;<i>Não verás país nenhum</i>,&nbsp;<i>Bebel que a cidade comeu</i>&nbsp;e&nbsp;<i>O beijo não vem da Boca</i>, recebeu alguns dos mais importantes prêmios literários do país, entre eles o Jabuti, e ocupa desde 2023 a cadeira nº 11 da Academia Brasileira de Letras.</p><p>O&nbsp;Redemoinhos&nbsp;é um podcast de ideias, cultura, artes e comportamento produzido pelo&nbsp;portal Imirante.com&nbsp;e apresentado por&nbsp;Félix Alberto Lima. Ao longo de seus episódios, o programa já recebeu convidados como&nbsp;José Luís Peixoto,&nbsp;Eric Nepomuceno,&nbsp;Valter Hugo Mãe&nbsp;e&nbsp;Suzana Vargas, reunindo alguns dos principais nomes da literatura e do pensamento contemporâneo.</p>

Espaço publicitário dentro da matéria