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FLORA BRASILEIRA
Publicado em
03/08/2026 18h38
Foto: Paulo Gonella
Pesquisadores brasileiros descobriram uma nova espécie de planta com flores vermelhas no leste de Minas Gerais (MG). Batizada de Oplonia doceana, a espécie foi identificada nos campos rupestres da Serra do Padre Ângelo, entre os municípios de Conselheiro Pena e Alvarenga. O achado botânico (detalhado recentemente na revista científica Plant Systematics and Evolution) é o primeiro registro do gênero Oplonia em território nacional. O trabalho contou com a liderança do Instituto Nacional da Mata Atlântica (Inma), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A descrição da flor encerra um mistério científico de 12 anos. A planta foi coletada pela primeira vez em 2013 e resistiu a mais de uma década de tentativas de identificação taxonômica. A persistência dos cientistas revelou um parentesco surpreendente: a Oplonia doceana não tem ligação genética direta com o restante da flora brasileira conhecida. Ela tem raízes evolutivas mais próximas de espécies encontradas na Argentina e na Bolívia.
“Desde a primeira coleta, eu sabia que aquela planta era diferente. Passei muitos anos tentando descobrir sua identidade, comparando espécimes, consultando especialistas e revisando a literatura”, relata o botânico Paulo Gonella. O pesquisador do Inma, que atuou como autor principal do estudo, define a resolução da identidade da planta como um quebra-cabeça gratificante.
O nome escolhido para a espécie presta homenagem direta à bacia do Rio Doce. A região sofreu graves impactos ambientais ao longo da sua história, mas continua abrigando uma biodiversidade rica e ainda pouco mapeada pela ciência. A nova espécie botânica já nasce classificada na categoria de Em Perigo de Extinção (segundo os critérios estabelecidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza, a IUCN). A flor sobrevive em populações reduzidas, restritas a um dos ecossistemas mais vulneráveis do bioma Mata Atlântica.
Gonella ressalta a urgência na proteção destas áreas. “O mais preocupante é que ainda estamos descobrindo espécies novas em uma região que sofre pressões constantes. A taxonomia é o primeiro passo para conservar a biodiversidade, porque só é possível proteger aquilo que conhecemos”, afirma. A descoberta evidencia a necessidade de fortalecer as pesquisas de campo e a preservação das formações montanhosas que continuam revelando uma flora até então desconhecida.
