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Brasil

Nobel Alternativo premia luta contra violência patriarcal e uso de IA

Por · 30/09/2026 às 14:23 · Atualizado em 30/09/2026 às 14:23 · 5 min

Internacional

Prêmio já reconheceu mais de 200 pessoas e organizações, desde 1980

Agência Lusa
Publicado em 30/09/2026 – 08:38

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Estocolmo

A Right Livelihood Award distinguiu nesta quarta-feira (30) com o Nobel Alternativo a paquistanesa Jalila Haider. Foto: Wikipédia/Divulgação

© Wikipédia/Divulgação


Lusa

A Right Livelihood Award distinguiu nesta quarta-feira (30) com o Nobel Alternativo a paquistanesa Jalila Haider e uma organização sul-africana pela luta contra a violência patriarcal, e a norte-americana Timnit Gebru pela defesa do uso ético da inteligência artificial.

 O prêmio da fundação sueca, que desde 1980 distingue o trabalho social, também premiou os esforços contra o autoritarismo da Associação de Jovens Advogados da Geórgia (GYLA, na sigla em inglês).

O júri reconheceu Haider – a primeira mulher da comunidade hazara a tornar-se advogada –, por “desafiar a perseguição étnica, estatal e patriarcal, guiada pela convicção de que nenhum ser humano é ilegal”.

“Combinando o trabalho jurídico com o ativismo de rua e o empoderamento comunitário, Haider conseguiu justiça para milhares de pessoas perseguidas ou ignoradas pelo poder, especialmente minorias étnicas, de gênero e religiosas, bem como refugiados”, destacou o veredicto.

Haider, nascida em Quetta, no Paquistão, em 1984, liderou em 2018, uma greve de fome contra o assassinato de pessoas da etnia hazara, o que levou a uma negociação e reduziu os ataques contra esta comunidade.

Como cofundadora da Frente Democrática das Mulheres, impulsionou a primeira marcha de mulheres do Baluchistão.

A advogada paquistanesa ajudou mais de 400 viúvas de vítimas do terrorismo a alcançar a independência financeira através da sua organização Nós, os Humanos e conseguiu que mais de 600 ativistas políticos e defensores dos direitos humanos recuperassem a liberdade de circulação.

Violência patriarcal

Já a organização sul-africana Assembleia das Mulheres Rurais (RWA, na sigla em inglês) recebeu o prêmio por transformar as camponesas sul-africanas “em uma força unida em defesa da terra, das sementes e da autonomia corporal contra a espoliação corporativa e patriarcal”.

O júri destacou que a organização transnacional, fundada em 2009 na Cidade do Cabo, África do Sul, reúne mais de 178 mil agricultoras de pequena escala em 11 países que, em oposição ao modelo das ONGs, aposta em uma estrutura horizontal dirigida por voluntários, construindo uma das maiores plataformas para mulheres rurais da região.

A RWA documentou centenas de variedades de sementes indígenas e defendeu os sistemas tradicionais de comercialização.

Além disso, transformou mulheres excluídas da propriedade da terra em uma voz política que ajudou a impulsionar uma lei no Zâmbia para a distribuição equitativa de terras às mulheres (2016) e outra na Suazilândia contra os abusos sexuais e a violência doméstica (2018).

A GYLA foi distinguida “por construir e salvaguardar a democracia georgiana e por sustentar o poder civil diante da repressão autocrática”.

Fundada em 1994, a GYLA é a organização de direitos humanos mais antiga da Geórgia: seus membros ajudaram a redigir a primeira Constituição deste país do Cáucaso após a queda da União Soviética em 1991 e desempenharam um papel essencial na sua democratização, salienta o júri, que a denomina como “espinha dorsal” da sociedade civil.

A organização prestou cerca de 1,5 milhão de consultas jurídicas gratuitas em um país com 3,7 milhões de habitantes e contribuiu para assegurar os direitos das pessoas com deficiência e garantir o direito à educação infantil.

O resultado salienta ainda que a GYLA decidiu permanecer na Geórgia, “apesar de sofrer uma dura repressão ao abrigo da nova lei contra agentes estrangeiros”.

Inteligência Artificial

A norte-americana de origem eritreia Timnit Gebru foi premiada “por desafiar o poder concentrado na inteligência artificial (IA) e por ser pioneira na tecnologia digital enraizada na justiça, na experiência vivida e na ação humana”.

Através do Instituto de Investigação em Inteligência Artificial Distribuída, Gebru chamou a atenção para a concentração de poder no setor tecnológico e para os danos causados pela IA a comunidades discriminadas, bem como para a forma e os objetivos com que esta nova tecnologia é desenvolvida.

Ex-diretora da equipa de ética da Google, ela criou também a Black in AI, uma organização destinada a aumentar a presença da população negra neste campo.

“O seu modelo distributivo reúne investigadores e colaboradores de vários países e continentes, desafiando os conceitos centralizados e impulsionados pelas grandes empresas que a IA convencional acarreta”, salientou o júri.

O Prêmio Meio de Vida Adequado (em tradução livre de Right Livelihood Award), como é realmente denominado, ainda que seja conhecido como Nobel Alternativo, já distinguiu cerca de duzentas pessoas e organizações desde que foi instituído em 1980 pelo escritor e ex-deputado europeu sueco-alemão Jakob von Uexküll.

Os prêmios deste ano – cada um no valor de um milhão de coroas suecas (€ 88 mil ) – serão entregues em Estocolmo no próximo dia 1° de dezembro. 

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